Querido leitor,
Escrevo essa carta na esperança de que as letras não morram sem nascer.
Alguma vez na vida você já esteve tão perto da dor que simplesmente sentiu paz?
E de tanto pranto, secaram-se as lágrimas.
E de tanto amor, um rasgo se deu.
Falta-me a vitalidade do outro. Daquele que perece, num leito, sem ar nos pulmões.
Nessas ocasiões preparamos a fúnebre visita, última. Antes que tudo se torne póstumo e inerte.
Como se aceita que alguém partirá?
Como se canta sobre amores vindouros?
Porque a vida, minha vida, se encerra em lábios frágeis e moribundos. Daqueles que definham, daqueles que são magros. Daqueles já foram fortes e bradavam.
Hoje, caro leitor, se ponho minhas mãos sobre aquele corpo doente, o que recebo é um carinho circular. E mesmo em meio aos destroços, sinto minhas mãos envolvidas pelo enfermo que é mais bravo do que eu.
Eu morro de medo e ele morre de estar vivo. Já viveu sim, bastante, pois bem.
Agora, talvez seja o dia dos lírios findarem e da chuva cair sobre mim.
Leitor meu, lhe digo: não tenho palavras doces, nem nojentas.
Há uma despedida lenta e majestosa. Escorre pelas brechas de mim.
Se todos morrem, por que vivo?
Se todos vão, por que vim?
A minha beleza vem deles, daqueles que com cabelos brancos envelhecem ternamente.
Sepultarei minha origem. Pequena e linda.
Aquele que me deu ferramentas.
Um eco. Chamo e não há resposta.
Não vá, fique para sempre comigo.
17.5.09
3.5.09
Selvagem
Daqueles que comem verduras e destroçam ventres.
Daqueles que têm língua de navalha e cabeça de mel.
Malvados, cínicos do mundo!
Canastrões! Faceiros
Lindíssimas criaturas que mentem, envolvem com piadas incorretas.
Moralmente reprováveis, eticamente os louvo.
Porque são livres deles mesmos e em tudo transborda amor: em não ser sempre sendo
ainda mais
Como se voltas fossem feitas de pontos curvilíneos
Como se lençóis fossem feitos de paz.
Como se fossem de algodão as mãos. Como se a esperança se tornasse grama macia.
E é como se tudo ficasse amorfo e andasse como pato.
pés abertos, peitos esticados para o ar
Cabelo enrolado daqueles que se alisam de tédio
Olhos de quem repara em poesias ocultas, que cabem nas patas de um mosquito
Força! Gutural de uma formiga.
Balanço gostoso de viração marítima.
Daquelas que rodam a gente. Bamba bamba, danço na natureza linda.
vejo tudo ritmado
vilas, palhaços.
dentes que me mostram alegria
sorriem
perdi uns dentes. levei soco na boca
cuspi meu maxilar inteiro e nasceu uma flor carnívora
exótica, mordente
Ah, que exaltação
As palavras ficam germinando, jorrando do poço
Jogadas a metros de infinitos, de imensidão.
Umas vão tão distante que as perco indefinidamente
rodopio de sensações
cansaço de vida
terra no rosto
sou negra, marrom, sou onde se plantam
sou notas, sou arcos
sustento
sou frígida. fingidamente calma
sou máscara
imponente escritora de fantasia
mas eu acredito
respiro meus delírios, os vivo
os almejo, como
mastigo
engulo
meus mundos são digeríveis, são alimento
passo
paro
passo, paro
deito
cheiro
nevoando e, sem mais outros instrumentos, canto sozinha, mexendo os pés na minha melodia
espalhando as folhas secas
e criando pétalas
antes de me nascerem sonhos, criei por séculos e mais séculos
criei pétalas. enroladas e coloridas, escondidas dentro da minha planta.
desenhei minhas folhas como quem transporta sua vida para uma semente
como quem se projeta na espera
enrolei-me de tal modo que cresci sem perceberem. fiquei gigantesca e de noite, aumentava minha existência.
preenchi diversos planetas enquanto crescia, sem flor - sendo folha
e ninguém via que a vida me brotava
em um dia
abri
estiquei meus braços e disse:
o mundo é meu
peguei minhas flores, as arrumei em meus olhos
e disse:
perfumem meu mundo
arrumei a minha terra e disse:
nutra-me eternamente
o que vale é a paz cravada, é a vontade que escorre por entre lábios
são palavras! ditas!
Bramidos!- sussurrados
Tragam-me boas notícias.
Quem vos fala é quem vos flore.
Eu sou de pluma, sou doce, sou mansa
Sou mirante. Miragem não.
Sou criadora de pétalas. Riacho escondido.
Refresquem-se em mim, que eu vos rego com Deus.
Bons vocábulos.
Daqueles que têm língua de navalha e cabeça de mel.
Malvados, cínicos do mundo!
Canastrões! Faceiros
Lindíssimas criaturas que mentem, envolvem com piadas incorretas.
Moralmente reprováveis, eticamente os louvo.
Porque são livres deles mesmos e em tudo transborda amor: em não ser sempre sendo
ainda mais
Como se voltas fossem feitas de pontos curvilíneos
Como se lençóis fossem feitos de paz.
Como se fossem de algodão as mãos. Como se a esperança se tornasse grama macia.
E é como se tudo ficasse amorfo e andasse como pato.
pés abertos, peitos esticados para o ar
Cabelo enrolado daqueles que se alisam de tédio
Olhos de quem repara em poesias ocultas, que cabem nas patas de um mosquito
Força! Gutural de uma formiga.
Balanço gostoso de viração marítima.
Daquelas que rodam a gente. Bamba bamba, danço na natureza linda.
vejo tudo ritmado
vilas, palhaços.
dentes que me mostram alegria
sorriem
perdi uns dentes. levei soco na boca
cuspi meu maxilar inteiro e nasceu uma flor carnívora
exótica, mordente
Ah, que exaltação
As palavras ficam germinando, jorrando do poço
Jogadas a metros de infinitos, de imensidão.
Umas vão tão distante que as perco indefinidamente
rodopio de sensações
cansaço de vida
terra no rosto
sou negra, marrom, sou onde se plantam
sou notas, sou arcos
sustento
sou frígida. fingidamente calma
sou máscara
imponente escritora de fantasia
mas eu acredito
respiro meus delírios, os vivo
os almejo, como
mastigo
engulo
meus mundos são digeríveis, são alimento
passo
paro
passo, paro
deito
cheiro
nevoando e, sem mais outros instrumentos, canto sozinha, mexendo os pés na minha melodia
espalhando as folhas secas
e criando pétalas
antes de me nascerem sonhos, criei por séculos e mais séculos
criei pétalas. enroladas e coloridas, escondidas dentro da minha planta.
desenhei minhas folhas como quem transporta sua vida para uma semente
como quem se projeta na espera
enrolei-me de tal modo que cresci sem perceberem. fiquei gigantesca e de noite, aumentava minha existência.
preenchi diversos planetas enquanto crescia, sem flor - sendo folha
e ninguém via que a vida me brotava
em um dia
abri
estiquei meus braços e disse:
o mundo é meu
peguei minhas flores, as arrumei em meus olhos
e disse:
perfumem meu mundo
arrumei a minha terra e disse:
nutra-me eternamente
o que vale é a paz cravada, é a vontade que escorre por entre lábios
são palavras! ditas!
Bramidos!- sussurrados
Tragam-me boas notícias.
Quem vos fala é quem vos flore.
Eu sou de pluma, sou doce, sou mansa
Sou mirante. Miragem não.
Sou criadora de pétalas. Riacho escondido.
Refresquem-se em mim, que eu vos rego com Deus.
Bons vocábulos.
24.4.09
Grude
No dia em que se morre a desgraça, há um lamúrio de tristeza. Todos os pensamentos exitam em afobar-se. Até o coração trocar seus trajes, demora. Muito tempo até que se reacendam os olhos. Acostumados com a marcha fúnebre de mortes alheias.
Ontem apunhalei meia dúzia de desesperanças. Suei, sujei-me com seus dejetos.
Olhei para o pessimismo restante, ameacei-o.
Bradei dentro do meu peito: "venha e lhe mato de alegria".
Quando morre algum sonho em mim, eu enterro. Rego e espero nascer a árvore. E assim, ainda morto, me serve de alimento.
Quando sou quem morre, espero pela minha ressurreição. Afoita, revivo, renasço.
Compactuei com Deus que seremos felizes ainda que a felicidade fuja. Não nos amofinaremos por esperar boas circunstâncias. Combinamos de navegar juntos. E é tanto céu que existe nEle, que morro de eternidade.
Assusta demais. Sorriso fácil. Gargalhadas esparramadas pelo mundo.
Quase libertino. Quase infame.
Se pactos pudessem ser quebrados. Se não tivesse sangue envolvido no negócio. Se o contrato não fosse tão vinculante. Até que eu tentaria. Me apegar ao desespero, ensaiar cenas deselegantes.
Porém, é caso perdido. É assunto encerrado: a paz grudou em mim e agora vivo embebida em bondade.
Ontem apunhalei meia dúzia de desesperanças. Suei, sujei-me com seus dejetos.
Olhei para o pessimismo restante, ameacei-o.
Bradei dentro do meu peito: "venha e lhe mato de alegria".
Quando morre algum sonho em mim, eu enterro. Rego e espero nascer a árvore. E assim, ainda morto, me serve de alimento.
Quando sou quem morre, espero pela minha ressurreição. Afoita, revivo, renasço.
Compactuei com Deus que seremos felizes ainda que a felicidade fuja. Não nos amofinaremos por esperar boas circunstâncias. Combinamos de navegar juntos. E é tanto céu que existe nEle, que morro de eternidade.
Assusta demais. Sorriso fácil. Gargalhadas esparramadas pelo mundo.
Quase libertino. Quase infame.
Se pactos pudessem ser quebrados. Se não tivesse sangue envolvido no negócio. Se o contrato não fosse tão vinculante. Até que eu tentaria. Me apegar ao desespero, ensaiar cenas deselegantes.
Porém, é caso perdido. É assunto encerrado: a paz grudou em mim e agora vivo embebida em bondade.
20.4.09
O conto do amor arruinado
Minhas pernas se puseram a andar por entre meus pensamentos. Subitamente percebi um caminho de dor e tristeza, segui-o. Eis que foi cheio de temor que trilhei o primeiro trecho. Depois, a idéia de que era esse o meu destino me assaltou e levou consigo todo desespero.
Agora percebo que o caminho é infinito e a linha de chegada é o lugar de onde vim.
Fico com a resolução de mudar meu passado errante, um passatempo mental de ser feliz.
Agora, mais um vez, agora conto meu conto.
Arruinado pelo amor, por certo que foi.
Imagine você os olhos onde se plantam bananeiras. Olhos cor de folha seca. Marrom-terra-folha-seca.
Imagine você que eles brilhem. Seria estarrecedor se não fosse enebriante. Talvez seja ambas as coisas. A imagem dos olhos, digo.
Os donos, os olhos, se alocaram num corpo. Corpo de Esméria. Admito que é com profundo pavor e depressão que escrevo. Não tenho saudades, só distância.
Esméria era má de tanto ser boa. Não era possível confiar nela. Boa não era, por certo. Era boa de tão má.
O mal se deu - vamos ao conto?!- quando percebi que Esméria comia esperança.
É boba a estória, só conto porque tudo aqui está perdido. É um conto fracassado.
Um dia, vi Esméria mastigando algo, algo que de doce tinha doçura. Ela mastigava o invisível e escorria riso por entre seus lábios.
Comecei a desconfiar da menina. Quem é que come uma coisa boa e finita...que faz isso: acaba com tudo de bom? Come a comida por mais que se acabe...e depois se ri?
Maldade.
Esméria comia palavras minhas, recitadas em frente ao seu nariz enquanto meus olhos fitavam sua boca. Conforme eu falava, Esméria repetia e as engolia. Depois se ria, risonha, feliz, trêmula. Escorria, escoava...rio no queixo, gotas no chão. Maldade.
Se quisesse palavras para engolir, que procurasse outro.
Foi inútil retroceder. Esméria deixou brotar o amor, engolido na terra do peito. Gerou as folhas, tronco. Os frutos.
Ela toda virou árvore. Suas pernas raízes.
Se Esméria quisesse. Maldade.
Era tão bonito ver Esméria. Sua paz tão notória.
Se quisesse, a tal da Esméria, ser feliz...que procurasse outro.
E assim que acaba o conto: Esméria morreu de saudade e eu prossegui meu caminho.
Agora percebo que o caminho é infinito e a linha de chegada é o lugar de onde vim.
Fico com a resolução de mudar meu passado errante, um passatempo mental de ser feliz.
Agora, mais um vez, agora conto meu conto.
Arruinado pelo amor, por certo que foi.
Imagine você os olhos onde se plantam bananeiras. Olhos cor de folha seca. Marrom-terra-folha-seca.
Imagine você que eles brilhem. Seria estarrecedor se não fosse enebriante. Talvez seja ambas as coisas. A imagem dos olhos, digo.
Os donos, os olhos, se alocaram num corpo. Corpo de Esméria. Admito que é com profundo pavor e depressão que escrevo. Não tenho saudades, só distância.
Esméria era má de tanto ser boa. Não era possível confiar nela. Boa não era, por certo. Era boa de tão má.
O mal se deu - vamos ao conto?!- quando percebi que Esméria comia esperança.
É boba a estória, só conto porque tudo aqui está perdido. É um conto fracassado.
Um dia, vi Esméria mastigando algo, algo que de doce tinha doçura. Ela mastigava o invisível e escorria riso por entre seus lábios.
Comecei a desconfiar da menina. Quem é que come uma coisa boa e finita...que faz isso: acaba com tudo de bom? Come a comida por mais que se acabe...e depois se ri?
Maldade.
Esméria comia palavras minhas, recitadas em frente ao seu nariz enquanto meus olhos fitavam sua boca. Conforme eu falava, Esméria repetia e as engolia. Depois se ria, risonha, feliz, trêmula. Escorria, escoava...rio no queixo, gotas no chão. Maldade.
Se quisesse palavras para engolir, que procurasse outro.
Foi inútil retroceder. Esméria deixou brotar o amor, engolido na terra do peito. Gerou as folhas, tronco. Os frutos.
Ela toda virou árvore. Suas pernas raízes.
Se Esméria quisesse. Maldade.
Era tão bonito ver Esméria. Sua paz tão notória.
Se quisesse, a tal da Esméria, ser feliz...que procurasse outro.
E assim que acaba o conto: Esméria morreu de saudade e eu prossegui meu caminho.
17.4.09
O Dia do Cospe Pérolas
Num mundo de monstros encantados, vi uma gaivota que cantava ao relento.
A gaivota sonhava ser peixe e o peixe sonhava ser mar. Nesse apego em sonhar ser o que não se é, os dias passavam límpidos. Dia após dia desastres impressionantes.
Nunca esquecerei do "Dia do cospe pérolas". Foi o dia em que conchas guardiãs do tesouro se enjoaram com o balanço do mar e todas vomitaram. Pérolas e mais pérolas nadando pelos sete mares. Até surpreender-se era perigoso.
Conta-se que certa tartaruga, boquiaberta com a situação, acabou engolindo três pérolas e morreu. Entaladamente preciosa. Pobre ou rica, fato é que aquele casco não será mais habitado.
A maioria ficou com nojo. Vômito de conchas, todos entoavam.
Ninguém mergulhou por aqueles dias. Não havia quem achasse aquelas dádivas.
Minto, uma pessoa mergulhou. Um pescador velho e alcóolatra. Mas não conta porque não se conta os mortos dentre os vivos. O pescador mergulhou em alto-mar. Ao abrir os olhos e ver aquela corrente de pérolas, achou graça. Pensou que estava sonhando, puxou o ar pelas narinas. Três ou quatro redondinhas lhe entraram pelo nariz. Lá se foi. Entre o sonho, embriaguez e entupimento. Morreu feliz.
Fora ele, ninguém de humano soube do fenômeno.
As conchas, desprestigiadas e vazias, se abriram e abandoram a missão de ser par. Correram, nadaram e se lançaram na beira do mar.
Uma menina chamada Alice juntou oito baldes num só dia, produziu vários colares de concha e hoje vive num luxuoso hotel com a renda.
Curioso foi o fim das pérolas: cairam num abismo e o encheram até a boca. Os peixes as tratam como pedras e elas vivem a redondilhar.
São felizes e viverão para sempre no mar. Preenchedoras de abismos e matadoras de quem estranha essa história.
A gaivota sonhava ser peixe e o peixe sonhava ser mar. Nesse apego em sonhar ser o que não se é, os dias passavam límpidos. Dia após dia desastres impressionantes.
Nunca esquecerei do "Dia do cospe pérolas". Foi o dia em que conchas guardiãs do tesouro se enjoaram com o balanço do mar e todas vomitaram. Pérolas e mais pérolas nadando pelos sete mares. Até surpreender-se era perigoso.
Conta-se que certa tartaruga, boquiaberta com a situação, acabou engolindo três pérolas e morreu. Entaladamente preciosa. Pobre ou rica, fato é que aquele casco não será mais habitado.
A maioria ficou com nojo. Vômito de conchas, todos entoavam.
Ninguém mergulhou por aqueles dias. Não havia quem achasse aquelas dádivas.
Minto, uma pessoa mergulhou. Um pescador velho e alcóolatra. Mas não conta porque não se conta os mortos dentre os vivos. O pescador mergulhou em alto-mar. Ao abrir os olhos e ver aquela corrente de pérolas, achou graça. Pensou que estava sonhando, puxou o ar pelas narinas. Três ou quatro redondinhas lhe entraram pelo nariz. Lá se foi. Entre o sonho, embriaguez e entupimento. Morreu feliz.
Fora ele, ninguém de humano soube do fenômeno.
As conchas, desprestigiadas e vazias, se abriram e abandoram a missão de ser par. Correram, nadaram e se lançaram na beira do mar.
Uma menina chamada Alice juntou oito baldes num só dia, produziu vários colares de concha e hoje vive num luxuoso hotel com a renda.
Curioso foi o fim das pérolas: cairam num abismo e o encheram até a boca. Os peixes as tratam como pedras e elas vivem a redondilhar.
São felizes e viverão para sempre no mar. Preenchedoras de abismos e matadoras de quem estranha essa história.
Futurando
Ainda é amor pequeno
daqueles que nascem com preguiça e prudência.
Ainda é bem semente, mamão verde, mingau em pó.
Falta aquecer, borbulhar, mudar de cor e de gosto.
Falta o céu e a terra reconhecerem o ar.
Falta as estrelas furarem nuvens nubladas.
Descortinar. Desenvolver. Disseminar.
E quando as bocas forem par e os olhos quartetos. Quando o hálito for do outro.
Teremos mais alimento. Faremos banquetes de alegria e serviremos as melhores risadas.
Vai ser bom. Tênue e puro.
daqueles que nascem com preguiça e prudência.
Ainda é bem semente, mamão verde, mingau em pó.
Falta aquecer, borbulhar, mudar de cor e de gosto.
Falta o céu e a terra reconhecerem o ar.
Falta as estrelas furarem nuvens nubladas.
Descortinar. Desenvolver. Disseminar.
E quando as bocas forem par e os olhos quartetos. Quando o hálito for do outro.
Teremos mais alimento. Faremos banquetes de alegria e serviremos as melhores risadas.
Vai ser bom. Tênue e puro.
14.4.09
Mestre-Deus
Passeando por entre palavras ditosas, vi Deus estampado em parábolas. Rodopiei meus olhos por entre vocábulos e achei alimento e achei bondade.
Percebi Jesus-Deus e enxerguei sem ver nada. Não por ser escuro, mas porque luz demais lustra a alma e faz tremilicar. E nesse tremilique de espírito: chamado de temor, tremor; eis que meu mundo girou com um sentido a mais.
Sentido de quem dorme, mas não vacila; de quem cansa, mas não pára. Segurança de quem morre, mas ressurge. E por mais que a Cristandade ficasse perplexa, o próprio Cristo não deixou de ser aborrecido, cansado e abatido. E o próprio Jesus foi traído, rasgado e humilhado. E o próprio Emanuel se compadeceu de quem o extirpava do coração.
Deus é assim mesmo: se ira com imensa compaixão e mata o celestial para salvar-nos, profanos. Porque Deus se joga na lama e permanece majestoso e puro. Faz brilhar esperança nos desgraçados. Deus é todo cheio de páscoa e natal. Cheio de remissão e oportunidades.
Deus é um tanto extravagante.
Percebi Jesus-Deus e enxerguei sem ver nada. Não por ser escuro, mas porque luz demais lustra a alma e faz tremilicar. E nesse tremilique de espírito: chamado de temor, tremor; eis que meu mundo girou com um sentido a mais.
Sentido de quem dorme, mas não vacila; de quem cansa, mas não pára. Segurança de quem morre, mas ressurge. E por mais que a Cristandade ficasse perplexa, o próprio Cristo não deixou de ser aborrecido, cansado e abatido. E o próprio Jesus foi traído, rasgado e humilhado. E o próprio Emanuel se compadeceu de quem o extirpava do coração.
Deus é assim mesmo: se ira com imensa compaixão e mata o celestial para salvar-nos, profanos. Porque Deus se joga na lama e permanece majestoso e puro. Faz brilhar esperança nos desgraçados. Deus é todo cheio de páscoa e natal. Cheio de remissão e oportunidades.
Deus é um tanto extravagante.
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